Saturday, November 27, 2010

Much ado about something

“Ninguém tem álibi para não ser livre” Schiller
É engraçado ouvir esta frase quando nos sentimos atados. Quando a própria culpa por estar culpado pesa nos ombros.

“Diante do terror, o herói sublime é aquele que livremente o escolhe. Íntegro ele é menor, mas se faz grandioso” Schiller
Parabéns àqueles que mesmo com tudo acontecendo não abaixam a cabeça, vão viver suas vidas. Com medo, mas com coragem.

“Eu conheço o ódio e a inveja de seus corações. Vocês não são grandes o suficiente para não conhecer o ódio e a inveja. Sejam, pois, grandes o suficiente para não terem vergonha disso” Nietzsche
Parabéns àqueles que são limitados, que esperam pacientes. Parabéns. Parabéns a quem sabe seu medo, seu ridículo, seu patético. Você que é pequeno, eu te saúdo, porque no ínfimo que é sua existência há um risco de vida que nenhum herói já viveu.

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Wednesday, October 13, 2010

Escorregão poético

A minha felicidade está vindo de coisas que compro na esquina, de coisinhas pequenas e de músicas. Sorrio com a sua companhia frívola e a ela cantarolo desafinado. Tenho muitas certezas e poucos sonhos. Não há tempo. Para que tempo?

Encontrei um chapéu entre velharias; um pouco depois, alguns lenços lindos e esquecidos, e com eles me fingi rei, mulher e herói. Visto e me dispo de mim, só para variar, ser alguém que também não sou — às vezes.”

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Tuesday, April 20, 2010

“Auxiliando na Destruição da Humanidade, Voadoras Poéticas de muito Amor”

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Para ser preciso, é preciso ter cuidado.
Não só cuidado, coragem para ir ao ponto sem se distrair pelas bordas.
Não só coragem, força para resistir à tentação de ser menor.
Não só força, amor – pois daí brota  o caminho para sermos livres.
Não só amor, ódio: destino da liberdade em felicidade, caminho de espinhos, sangue e um sorriso de adeus como se estivéssemos condenados a ser nós mesmos.

E ninguém odeia como você.

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Monday, August 31, 2009

Concurso de poesia

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– Meu caro amigo, andei por muitas camas e coxas, descobri o que é o amor e venho contar-te.

– Infelizmente, tu chegaste tarde demais, pois já o aprendi de antemão. Metendo-te culosamente, achei-o entre nádegas. Haha.

– Vós conversais, mas só escuto uma voz. Que sabeis do amor senão o que ouvistes de bêbados num bar, frequentadores de prostíbulos e velhos pornográficos? E mesmo que soubésseis, não teríeis como dizer com clareza.

– (Descontentamento. Agita-se, levemente agressivo.)

– Calma, irmão. Não te irrites com tais ofensas. Onde já se viu o intelectual ensinar aos poetas e amantes sobre o amor?

– Justo, contudo não me conterei em ousar dizer o que aprendi. Um presente foi-me dado e não pretendo guardá-lo só comigo. Meus mestres foram os corpos, e não os livros, que a mim revelaram o mais íntimo dos segredos…

– Vê?! É um charlatão e canalha aquele que faz uso e divulgação do que não é seu como se seu fosse. Se te foi dado em comunhão privada, qualquer coletividade é perversão. Na verdade, dessas condutas ímprobas nunca duvidei de que fosses capaz.

– Provarei que estás errado, biltre! Mequetrefe, tu devias calar-te diante do que tenho a dizer. Talvez tua torpe e vil mente consiga adquirir alguma informação úmida de saliva, ao invés da secura das páginas que o doitor está acostumado.

– Ânimos calmos, senhores!

– Pois bem, blasfemas para mim que eu desejo ouvir-te, a fim de desmascarar-te duma vez por todas.

– Blasfêmia? Tu estás indo longe demais. Não me seguro, parto tua cara.

– Coxo infiel!

– Não, A., não!

(A cena se interrompe. Entra um gato.)

– Pede mais uma e põe na conta.

– Hahaha, não me venhas com essas paspalhices. Tu nunca me pagarás, bem sei.

– É a vez do novato.

– Novato só se for neste bar, ou melhor, nesta mesa. Sinto que já estive aqui antes.

– Estavas tão bêbado que nem recordas. Deves ter aparecido com raparigas e ido embora com rapazes! Hahaha.

– Ou com aquele cão vadio, companhia dos ébrios sem amantes nem equilíbrio.

– Se aquilo é um cão eu sou tua mãe. Hahaha.

– Hahahah.

– Este gato está aqui desde o início da briga, ele viu tudo, é testemunha de tudo, sabe tudo. Pelo silêncio deve estar pensando. Pensamento de gato.

– Tu não serias minha mãe, tu és feio e gordo, além do que minha mãe é pura. Sempre será pura. Ao contrário de você, sujo desde berço.

– Claro, sempre pura, menos com teu pai. Hahaha.

– Sim, mães podem ser devassas com os pais! Hahahhaha.

– Aquele gato mia com ritmo, soa… é música.

– Só com os pais.

– Só comigo! Hahahah.

– Só comigo! Hahahah.

(O gato sai.)

– Como faço para voltar daqui?

– É muito simples de carro, se não estivesses de porre.

– E possuísses um carro. Hahahah.

– E tu, A., como vais voltar?

– Acho que o gato falou comigo.

– Pare disso! Devo estar mesmo desesperado para perguntar-te algo. Nem consegues dar rumo às ideias, quanto mais para casa. Vem, levarei-te hoje, mas não cries costume, tenho mais o que fazer do que cuidar de marmanjos.

– O gato me contou o segredo do amor.

– De novo com esta ladainha?!

– Ah, ainda é noite, temos tempo. Deixa-o falar.

– Ele me disse, mas eu não posso revelar. Não é que não queira (ou que queira), não saberia como. Só de pensar a respeito, sinto que traio a lembrança do gato.

– Esquece este maldito gato e vamos, ou deixo-te aqui aos mendigos e ladrões.

– Diz, o que ele te contou?

– Não posso dizer e não posso esquecer o gato. Ele é a lembrança, a coisa dita, o que aprendi com ele, o que antes veio e ainda virá. Para ser sincero, sinto que sou o gato de alguma maneira.

– Meu Deus! Como isso foi acontecer?! Não havia apenas cerveja naquele copo, só pode ser. Tu não aprendeste nada hoje, não é mesmo? Estás a caçoar de mim. Não vês que estou cansado, que desejo e preciso voltar para casa? Tu não tens o direito de fazer-me de bobo, se não sou eu, talvez estivesses preso agora, ou até pior!

– Eu já imaginava isso de vós. Um não dá ouvidos, o outro quer porque quer ouvir. Nem um, nem outro estão aptos a perceber que não se trata de vontade. Eu não quis gato, o gato quis-me. Talvez seja mais uma questão de coragem do que qualquer outra coisa. Coragem e sinceridade para assumir o que já é nosso. Foi nosso de presente. Será nosso cárcere privado.

– Sê o que quiser, eu me vou.

– Faz uma boa viagem. (Sorriso sincero)

– Espera, se tu não nos podes dizer o que o gato contou-te, pelo menos diga-nos como foi?

– Parai já com isso!

– Bem, o que te posso dizer é que os gatos sabem amar. Cada aproximação é cautelosa. O olhar sempre se mostra: interessante e interessado. Da escuridão saem, para a escuridão voltam.  Afiam as garras em quem confiam.

– Não entendi.

– Jesus, o que fiz para merecer isso?

– Tudo bem. Não é para entender. É para guardar. Para aguardar.

(Um outro gato aparece rapidamente e logo some)

– Malditos sejam todos os gatos!

– Que mais?

– Só isso.

– Só?! Não há mais o que tu possas contar?

– Não.

– Qualquer coisa?

– Não. (Sorridente. De sorriso sincero)

– E o que eu devo fazer com o que tu me disseste?

– O que bem desejas fazer.

– Podemos ir agora?

– Tenho, pois, algo para ti.

– Quero dormir. Quero morrer sem estes por perto!

– O que tens para oferecer-me?

– Ofereço-te simplicidade. Traga a tua e poderemos ser amigos. Traga-me tua complexidade de peito aberto e seremos amantes.

– (Novamente o sorriso sincero.)

Posted by André Luís Borges de Oliveira in 05:48:00 | Permalink | Comments (3)

Friday, May 29, 2009

Prayer of the children


http://www.youtube.com/watch?v=XQi46ZFOACw

Pode você ouvir quando é chamado? Uma língua nova te chama e você a reconhece? E se fosse seu pai, seu irmão? Você ouviria? As palavras sombrias soariam; embora possam dispor de luz, ainda assim, você as sentiria?

Pode sussurrá-las? Segredá-las, confidenciá-las? Um presente de um estranho a outro. Um coração de criança chorando por casa. Você sabe o caminho de volta? Consegue vê-lo?

Um susto. Um amparo. Um sol nublado aquece o rosto a procura de nuvens e do outro lado da esquina seu próximo acena. Você notou?

Mil paixões gritam dentro de mim. Transbordam: meus olhos lacrimejam, minhas mãos tremem, minha língua não se comunica mais, meu pênis jorra e eu ganho espaço em mim. Por um instante ouvi o som do mundo durar nos meus ouvidos. O que eu ouvi?

Alargando… expandindo…  abraçando… Raiva. Um quarto apertado, mas confortável. O baixo continua na melodia e traz uma mensagem: o lar da tranquilidade também é o do ódio. O mesmo sangue flui. Do ventre, pelo punhal, à mão. Se eu morresse antes de acordar, você seguraria minha mão?

Respiro fundo e me encontro com o que escondia, com o que esqueci de mim. Calmamente crio confiança e não temo mais. Sou guiado pelo andamento da música a soar pelo meu corpo, a mesma música que entoa o som de tudo. Sou parte e estou acolhido.

Pode você ouvir a voz silenciosa? Posso? Algo de fato mudou? Algo de fato permaneceu? Pode você não sentir o tapa no rosto? Pode negar sua mão vacilante? A pergunta pelo mal também é a pergunta pelo bem.

Sorridente e um pouco cansado, como uma criança em casa depois de brincar, agradecido do dia e com vontade de noite, de descanso. Num sonho de vida, a pergunta reaparece, e eu me ajoelho diante dela e nunca me senti tão seguro. Finalmente abri mão da resposta.

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Thursday, April 23, 2009

Quando o amigo chega sem avisar


Seu desejo de proteger onde mora é louvável, mas um pouco restrito. Meu amigo, eu te amo, e por isso vc mora em mim. Amo o chão que piso pq moro nele. Acaba que: morar nele faz com q ele more em mim tb, por isso o amo.

Alguém entra na sua casa, o que vc faz? Primeiro, posso fazer uma pergunta? O que faz desta a casa sua e só sua? O que te faz pensar que outrem não possa buscar sombra e água fresca nessas paragens? Vc se sentiu ameaçado? Ocorreram de violência contra vc?

Amigo, protejer o que vc ama é justo e digno de ser feito, mas o respeito para com a casa, sua casa, é respeitar seus demais moradores, aqueles que se provém dela de alguma maneira. Não diminua sua morada, desrespeitando moradores recentes, visitantes de última hora ou marinheiros de primeira viagem. Considere que sua casa jamais será sua, pq não deve ter dono, para ser livre naquilo que te oferece e naquilo que jamais poderá te oferecer. Pq, a cada um de maneira própria, ela serve de morada.

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Saturday, March 14, 2009

Era só mais um scrap…

Marlon, sua sombra e a quina.
O aberto do vazio na porta escancarada.
O azul do quadro, a negritude do quadro, o quarto.
A parede
nua, a possibilidade de tudo isso e sua morte. E nada. E tudo.

Marlon, sua sombra e a quina.
O aberto do vazio na porta escancarada.
O azul do quadro, a negritude do quadro, o quarto.
A parede
A mancha na parede, como esquecer da mancha
…nua, sua possibilidade e morte. E tudo. E nada.

A.L.B.O.

Posted by André Luís Borges de Oliveira in 01:07:09 | Permalink | Comments Off

Sunday, February 22, 2009

O espelho já me viu assim

Adoro gerúndios, superlativos em nomes e às vezes em adjetivos, diminutivos, redobros.
Letras em inglês, alemão, faroês e islandês me agradam. Letras em português me tomam pra si. Gosto de etimologias inventadas e de sinônimos verdadeiramente mentirosos. Deuses e demônios caminham comigo e eu tropeço em versos esporádicos. Sou sincero até o ponto que minha dignidade permite ser. Busco o amor e quero ser sozinho, busco a morte e quero ser livre. Choro diante de um riso de criança. Amo gatos. Cachorros não fogem ao meu gosto. Um abraço, um sorriso ou um beijo fazem meu dia. Luta livre, desenhos animados, futebol e comer me alegram. Amigo só serve pra conversar, beber café ou cerveja, te dar socos na cara e não deixar vc dormir. Mulher só serve para não fazer nada junto, te dar rasteira e não deixar vc dormir. Eu sou o André… sou andré… sou andre!

Posted by André Luís Borges de Oliveira in 19:56:42 | Permalink | Comments (4)